quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Amanheci

domingo, 19 de dezembro de 2010

O NATAL DE MARICOTA

   Maricota já havia passado no mercadão do bosque e adquirido algumas crisálidas douradas  que ficariam perfeitas na tuia do quintal a tempo de eclodirem na noite de Natal. Comprou também fitas vermelhas . Fazia muito calor e havia um congestionamento horrível de formigas. Espalhados nas árvores,os corais de cigarra cantavam. Havia no  ar uma deliciosa confusão.
   Apertou o passo,desviando-se dos ambulantes que insistiam em oferecer o último lançamento , pirata é claro , de RC , o rei dos grilos .
   Andou mais depressa , pois nessa época , qualquer chuva poderia ser um verdadeiro desastre . Não tardou e estava em casa.Colocou a sacolinha  sobre a mesinha feita de madeira nobre e tomou umas gotinhas de néctar.


A idéia é que você ajude a contar a história do Natal de Maricota,alguém comum como você e eu.Alguém interessado em cultivar a vida,em partilhar momentos,sem esquecer do advento que a data celebra.
Podemos tentar?Escreva !

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Entre fios


                                  
 
Sopro a cabeleira de fios
Penteada no tear
Tentativa vã de ordenar
Os pensamentos
Que nascem sedentos
De sinapses não-lineares
De  novas conexões
Soltas pelos ares
Nascem novas tapeçarias
Novas armadilhas
E quem foi que deu o nó ?
E quem foi que fez o fio rebentar ?
Estou só no labirinto
Sem novelo de Ariadne pra ajudar...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cadê as chaves?

Depois de ler e ouvir meus relatos pessoais de circunstâncias nada corriqueiras , um amigo me disse que eu parecia uma personagem de sitcom.E quem há de discordar?




_Essa situação é um absurdo!
_Eu sei, 
_É inaceitável.-Continuava reclamando.
_Concordo,mas pelo menos terei uma história para contar.
Assalariado sempre aguarda o dia do pagamento para quitar a maioria de suas contas.Nesses tempos de internet essa tarefa é facilitada.Os boletos podem ser pagos em casa e as transferências de uma para outra conta também.No entanto,em alguns casos, ainda é necessário que se efetuem pagamentos in loco.
Mari já havia chegado do trabalho e o pai avisou:
_Temos que ir ao Carrefour.
O dia havia sido quente,extremamente quente e pegajoso.Os gestos pareciam grudar-se no ar e as ações se arrastavam preguiçosamente.Caio havia tido uma tarde ainda mais quente,esteve febril,mas àquela hora , depois de um banho fresco e de um analgésico sentia-se melhor, mas ainda cansado.Preferiu ficar em casa,descansando.
Élio deixou a chave no lado de fora da porta,Mariana, a última a sair trancou e entramos no meu carro.Assim que o motor foi acionado recomendei que fôssemos no outro carro.
_O barulho aí na frente ficou pior,melhor irmos no seu.O jeito é levar até uma oficina amanhã.
Trocamos de carro e eu voltei para dentro de casa para guardar a chave da "space".Mari colocou a cachorra para dentro, o gato quis sair e Élio nos apressou.No alvoroço pedi ao Caio que trancasse a porta.Em segundos partimos rumo ao supermercado para pagar a fatura e,quem sabe, encontrar alguma oferta tentadora.No caminho apelamos para um impecável suco de melancia.
Aproveitamos o clima consumista e demos uma passadinha no shopping.Nessa época que antecede o Natal,nem é necessário dizer o quanto estava cheio.Resumo da ópera: saímos bem tarde e bem tarde chegamos em casa.Sacolas na mão em frente à porta fechada:
_Cadê a chave???
Mariana havia deixado dentro da "space" trancada cuja chave estava dentro da casa...trancada!
Eu não havia pegado a minha nem Élio a dele e Caio dormia profundamente depois da tarde febril.Os cães latiram, a campainha do interfone soou repetidamente, bem como o telefone e nada.Nenhum sinal de que ele acordaria.Vasculhei minha bolsa, vasculhamos o carro e nada.O que fazer?
Élio subiu no telhado na tentativa de chegar perto da janela do quarto do Caio para fazê-lo acordar.Não funcionou,sem contar o risco.
_Isso é um perigo e se algum vizinho achar que eu sou um ladrão?
Depois dessa tentativa frustrada, o máximo que conseguiu foi se enrolar no fio do telefone.Resolveu tentar abrir a porta lateral.Mais difícil ainda.Os cães latiam e nada.Tentei ligar mais uma vez para casa.O telefone já não soava,o fio havia se rompido mesmo.Agora só nos restava procurar um chaveiro 24 horas.
Mariana pediu ajuda a um amigo pelo celular.Ele estava na internet e localizou vários telefones.Ligamos um a um e nada!Ninguém atendia!A única vez em que atenderam o alívio foi momentâneo,era um especialista em carros,não atendia a emergências domésticas.Como assim?
Resolvemos dar uma volta pelo bairro,depois pelo centro da cidade e não conseguimos encontrar nenhuma referência  que já não houvéssemos tentado por telefone.Desistimos.
Élio continuava indignado com a situação,Mariana só tinha fome e sono.Eu só tinha uma preocupação,Caio não acordar a tempo para a última prova.
_O jeito é matar o tempo e depois dormir no carro mesmo, ora.
Cachorro-quente no Daniel e uma noite mal dormida.
Élio tinha uma bolsa de viagem dentro carro com toalha e tudo , estendeu no gramado,usou sua bolsa de futebol como travesseiro e gastou alguns minutos ainda tentando falar com um chaveiro, na esperança de que alguém atendesse.Mas já eram duas da manhã e isso aqui não é São Paulo.Logo ele acabou caindo no sono e sono profundo posso dizer.A terra deve ter sugado o resto de sua energia a boa e a ruim.Ele dormiu totalmente entregue.
Antes que eu me ajeitasse, Mari já dormia encolhida no banco de trás.Sua posição se assemelhava a do gato sobre a caixa de papelão no canto da garagem.O segurança passou apitando.
Abaixei o vidro e o banco do motorista para que o ar circulasse.Apesar do calor assombroso do dia, a noite embora quente, trazia consigo uma brisa feliz.O cansaço me abateu e dormi,mas não por muito tempo.A vizinha adolescente chegou com uns amigos no meio da madrugada e eles ficaram na calçada conversando, rindo,brincando.Brincadeira! Lá se foi meu sono.Meus companheiros sem-cama estavam na mesma posição desde que haviam caído no sono.ouvi novamente o segurança em sua ronda.
Virei de um lado, virei de outro com um cansaço enorme ,com olhos cerrados, mas sem conseguir me desligar.Olhei no relógio enquanto o som da vozes iam ficando cada vez mais distantes e algum tempo depois, dormi.
Dormi por vinte minutos,até que o gato me chamou na janela querendo entrar no carro.Colocou uma patinha no meu ombro.Facilitei sua entrada e ele se ajeitou lá no fundo,no tampão traseiro.Mexeu no cinto de segurança,se lambeu e aquietou.os outros dois, estáticos nem notaram nada.
O segurança passou apitando em sua ronda sistemática e eu repeti o ritual.Vira para cá, ajeita para lá.Perna esticada, braço encolhido.O sono se aproximando novamente ,suavemente,sorrateiramente..
O gato resolveu sair do carro,ajudei ainda no meio do sono,sem perder o fio.
Uma mariposa preta,imensa pousou na parede perto da renda portuguesa,o gato percebeu e tentou pegá-la.O fio do sono se rompeu.A mariposa voou,o gato saltou sobre o meu carro, atrás dela.Desistiu, resolveu entrar no carro novamente.Praguejei.Ele saltou para o assoalho diante do banco do passageiro,tentou apanhar algo no porta copos,no porta-trecos da porta.Abri a bolsa, apanhei o celular.Eram cindo e onze.
_Eu quero dormir ,Mozzani.Dei uma bolsada no traseiro dele.Achando que eu brincava saltou para fora acelerado.
O mundo calado, menos meu gato.Mari suspirou, gemeu e ajeitou o corpo.Élio imóvel de bruços sobre a toalha na grama.
Dormi.Acordei com o o dia amanhecendo e a passarinhada fazendo a maior algazarra nas árvores e nos fios da rua.Alto, muito alto!Eram seis horas.
Melhor despertar de vez e tentar acordar o Caio.Élio apertou o interfone por duas vezes e o adolescente sonolento e já sem febre, sem saber nada sobre a história abriu a porta e ouviu:
_Graças a Deus!!!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O Minotauro(parte final)

Créditos da imagem :Warwick Hutton

Em Atenas a fama do herói que havia vencido vários vilões corria solta,porém ele não fora reconhecido assim que chegou.
A única pessoa que sabia de sua chegada era Medeia,a feiticeira que havia fugido de Corinto após matar quatro pessoas, dentre as quais seus dois filhos.Ela havia se refugiado no palácio de Egeu no período em que Teseu ainda estava em Trezena e prometeu ao rei que lhe faria poções mágicas caso ele a desposasse.Essas poções teriam o poder de manter-lhe as forças da  juventude e ainda lhe possibilitaria ter os filhos que tanto desejava.Em face dessas promessas, Egeu desposou Medeia.
A chegada de Teseu poderia colocar os planos da feiticeira em risco,expulsando-a dali.Logo, ela se antecipou,procurando Egeu e provocando uma intriga:
_Egeu,o estrangeiro com fama de herói que está por chegar não passa de ardiloso espião e uma ameaça ao seu trono.Você deve convidá-lo pra vir ao palácio e oferecer-lhe vinho envenenado.Não corra riscos.
O rei concordou com a trama e não tardou para que o estrangeiro fosse localizado e convidado a vir ao palácio.
E assim, Teseu chegou e foi recebido pelo rei que obviamente não reconheceu o próprio filho.A taça com veneno já estava preparada e Medeia agia com impaciência, ansiosa por um desfecho que lhe fosse favorável.
Teseu também estava ansioso por ser reconhecido por seu pai.Sabia que isso só seria possível, se Egeu identificasse a espada e as sandálias resgatadas do rochedo onde o rei as depositara antes do nascimento do filho.
A mesa foi coberta com iguarias e logo que a carne foi servida, sob o pretexto de cortá-la, Teseu sacou a espada.Ele sentia que não havia por que prolongar o segredo a seu respeito.A lâmina brilhou e mal avistou o objeto, Egeu derrubou propositadamente a taça de vinho envenenado e prosseguiu com uma série de perguntas que o fizeram ter certeza de que ali diante dele estava seu tão esperado herdeiro.Medeia tentou escapar furtivamente ,mas ao comando do rei que compreendeu seu ardil ,foi expulsa de Atenas e voltou para sua pátria, a Cólquida.
Diante de uma assembleia popular, o jovem herói foi apresentado,toda a história foi contada e em seguida  a  aclamação choveu com entusiasmo singular.
Atenas, contudo ainda vivia tempos de turbulência em função da ambição dos filhos de seu tio Palas.Teseu, pós ter sido reconhecido como herdeiro do trono ático, saiu para enfrentar os cinquenta primos que causavam verdadeiro tumulto reino afora por não aceitarem o fato de um estrangeiro vir a reinar sobre eles naquelas terras.
Os palântidas, como eram chamados os filhos de Palas, se armaram e prepararam uma armadilha para Teseu, mas o emissário deles,um estrangeiro,revelou todo o plano deles a Teseu, que descobriu o esconderijo onde estavam e liquidou os cinquenta sem pestanejar.
Havia o risco de promover a ira entre o povo assim que a notícia se espalhasse então se antecipou e admitiu ter agido em legítima defesa diante das artimanhas do contendores.Para consolidar sua imagem positiva divulgou a necessidade de pacificar o reino e partiu para enfrentar o temível touro branco sagrado de Maratona,a fera que atormentava pelo menos quatro cidades da Ática.
Partiu  e  em uma luta sem precedentes dominou o animal, levando-a para Atenas onde o sacrificou em honra de Apolo.
Foi nessa época que Atenas se preparava para enviar a terceira remessa de jovens para Creta rumo ao desprezível labirinto.Em meio à comoção do momento em que mais uma vez Atenas deveria pagar o tributo devido ao rei Minos, o povo se rebelou, achando injusto que Egeu ficasse indiferente diante das famílias que viam seus jovens solteiros e suas filhas donzelas serem arrancados de seus lares após o temível sorteio agora que ele tinha encontrado seu filho bastardo.Teseu se ofereceu para ir com jovens sorteados.
A fim de pedir proteção ao deus Apolo, Teseu conduziu os jovens com os quais empreenderá a viagem a Creta ao templo e em nome deles levou um ramo de oliveira embrulhado em lã .
Precavido ainda teve tempo de recorrer ao oráculo de Delfos para saber se sairia vitorioso nesta empreitada e saiu de lá com o conselho de que deveria contar com a ajuda do amor para sair vitorioso.


O navio que partia com os jovens sempre partia com velas negras para demonstrar o luto de todo um povo diante do horror que viviam.
No entanto, naquele dia antes de partir,Teseu ouviu seu pai que não desejava ver morto o filho recém-descoberto  falar ao timoneiro:
_Leve velas negras e velas brancas.Quando vocês estiverem de volta,icem as velas brancas caso meu filho esteja vivo que assim espero ou as negras caso eu nunca mais volte a ver meu ansiado herdeiro.
Partiram entre clamores e lamentos.
Poucos dias depois de desembarcarem , Minos foi ao porto conferir as vítimas que lançaria no labirinto,dentre elas encontrou o próprio filho de Egeu que decidiu revelar sua verdadeira filiação.Apresentou-se como filho de Posseidon e como gerasse certa incredulidade foi desafiado a provar sua afirmação.Minos retirou do dedo um anel de ouro que trazia sempre consigo e o lançou o mais longe que pode no azul profundo.Sem hesitar, Teseu lançou-se ao mar e em segundos foi rodeado por vários golfinhos que o conduziram ao palácio de seu pai onde nunca estivera antes.Foi recebido diante de um trono belíssimo em formato de concha onde estava sentado ninguém menos que o próprio senhor dos oceanos.A seu lado estava Anfitrite e ao redor um séquito de nobres aquáticos dentre os quais o rei Tritão.
Posseidon ouviu a história contada pelo filho e o motivo pelo qual ele tinha chegado até ali,imediatamente ordenou a Tritão que encontrasse e trouxesse o anel .Não tardou e o deus marinho retornou juntamentecom centenas de nereidas.Uma delas trazia o anel e o entregou a Teseu.Anfitrite colocou na cabeça do rapaz uma coroa de louros de ouro e Posseidon recomendou que ele voltasse para Creta.Não era aconselhável que se demorasse.Cercado por golfinhos e nereidas, Teseu chegou à praia e de onde as pessoas já começavam a se dispersar.
Sua chegada surpreendeu a todos.Ele não se afogara,trazia uma coroa de ouro sobre a cabeça e ao se aproximar de Minos, abriu a mão e lhe entregou o anel que havia sido atirado ao mar.
Ariadne, a filha de Minos estava próxima do pai e se encheu de admiração ao ver o rapaz naquela postura corajosa.No mesmo instante uma flecha de Eros,filho de Afrodite atingiu seu peito e o amor inundou-lhe.Sentiu pavor ao pensar que em pouco tempo Teseu seria morto pelo Minotauro, resolveu recorrer a Dédalo,o engenhoso construtor do labirinto,já admirava Teseu desde que soube de seus atos de heroísmo e acreditava que ele seria realmente capaz de acabar com o Minotauro.Quando Ariadne chegou até ele,o sábio homem já tinha uma solução:um novelo de lã.
Secretamente Aridane foi ao encontro de Teseu na noite anterior ao sacrifício:
_ Eu sou Ariadne, filha do rei Minos e acho que posso ajudá-lo.
_ Como assim?
_ Acredito na sua capacidade de abater a fera que se encontra nos corredores do labirinto,mas é impossível sair de lá.Vamos pegue!-Disse a moça estendendo o novelo de lã.-Você deve amarrar a ponta do novelo,logo na entrada do labirinto e ir desenrolando o fio até chegar ao Minotauro.Assim que você tiver acabado com o monstro- falou estendendo-lhe uma espada - volte enrolando o novelo e seguindo o caminho marcado.
Teseu agradeceu e percebeu nos olhos da moça uma ternura radiante.Imediatamente lhe veio à mente,as palavras do oráculo e percebeu que havia ali os cuidados de Afrodite.Sua confiança acabou se redobrando.
Na manhã seguinte os jovens foram conduzidos até a entrada do labirinto.Teseu foi o primeiro a entrar.Lembrou-se de seguir os conselhos de Ariadne.
O labirinto era extremamente confuso.Havia corredores longos que pareciam não ter fim e de repente ele estava de volta a um local por onde já havia passado.Virava para a direita,em seguida para a esquerda,dava voltas e mais voltas sentindo a ansiedade corroer seus ossos.A qualquer instante a fera poderia surgir, agarrá-lo,golpeá-lo e Teseu ainda tinha que manter-se atento ao fio que desenrolava.
E assim,num reflexo desviou da fera que surgiu repentinamente.Com agilidade pôs-se a desviar das investidas do tenebroso monstro que fungava pelas narinas arreganhadas e furiosas.Os chifres do ser meio touro,meio monstro passavam rentes ao corpo de Teseu.Havia uma violência desmedida nas ações do monstro que avançava para destroçar o rapaz e dele se alimentar.Depois de uma cansativa luta, Teseu conseguiu golpeá-lo com a espada no lado esquerdo.Assustadoramente o golpe pareceu não causar dor no animal que se voltou com mais fúria ainda.Foram muitos os golpes que atingiram o Minotauro, no entanto nenhum deles causou o efeito esperado.A luta prosseguiu por intermináveis momentos.O cansaço começou a tomar conta e em um instante em que o Minotauro parou para tomar fôlego,Teseu com força extraordinária se lançou contra seu inimigo e o atirou ao chão.Assim que caíram,Teseu cravou a espada no peito do animal caído que bufou,estrebuchou e em segundos ficou inerte.
Diante do cadáver,Teseu respirou profundamente e agradeceu aos deuses pela vitória.Olhou em volta e apanhou o que restara do novelo.Sentia-se feliz por mais uma missão cumprida e por saber que ninguém mais seria vítima do sanguinário ser.Ansiava por contar isso a todos.
Procurou o caminho de volta seguindo o fio e agradeceu por ele o estar orientando, pois percebia que a cada encruzilhada seu instinto o levaria pelo caminho errado.
Mal apontou na entrada do labirinto foi recebido com aclamação por seus companheiros e Ariadne se lançou sobre ele em gratidão e admiração sem par.Sem demora, Ela o alertou a partirem o quanto antes,pedindo permissão para seguir junto com eles..Por precaução furaram os cascos dos navios cretenses para que não os alcançassem durante a fuga.
Resolveram parar na ilha de  Naxos onde foram recebidos pelos habitantes com hospitalidade.Durante a primeira noite na ilha, Teseu sonhou com Dionísio dizendo-lhe que deveria deixar Ariadne na ilha,pois ela era sua noiva.Caso ele não a deixasse seria severamente punido.Receoso da ira divina,Teseu não teve escolha e se viu obrigado a partir,deixando a jovem em Naxos.Depois que partiram,assim que a noite caiu,Dionísio raptou Ariadne e a levou para o monte Drius.Ela jamais foi vista novamente.
Teseu e seus companheiros ficaram consternados com a sorte da donzela que tanto lhes ajudou e partiram rumo a Atenas.Em meio a tristeza, acabaram se esquecendo da solicitação feita por Egeu antes da partida e mantiveram as velas negras hasteadas.
Todos os dias, Egeu ia ao Cabo Sunion onde ficava o templo de Posseidon e estendia os olhos na direção do mar,esperando ver velas brancas despontando na distância.Para seu sofrimento e desespero vislumbrou as velas negras anunciadoras da desgraça que ele não poderia suportar.Sem hesitar atirou-se do promontório no mar que até hoje é conhecido como MAR EGEU.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Nilo

Tratava-me pelo diminutivo do meu nome e o enunciava com uma musicalidade pernambucana acentuando e alongando a penúltima sílaba.
_ Olguiiiiiiiiiiiiiiiiinha!
Vez por outra chamava assim:
_Oi, minha neeeeega!
Entrou pela porta do carro apressado, pois estávamos próximos ao cruzamento da XV com Armando Sales e o farol já ia abrindo.Proibido parar e estacionar.
Ele sempre insistia em pegar carona naquele ponto,embora eu preferisse um local menos afoito para apanhá-lo.Não adiantava.
Como eu dizia,entrou e sentou no banco detrás cumprimentando com animação.
Nem bem os cumprimentos passaram pelo farol,ele me entregou uma caixa de papelão fino.
Abri meio desajeitada enquanto Élio fazia curvas,passava lombadas e ultrapassava motoristas sonolentos.
Achei tão meigo!Um jogo de xadrez feito de argila e pintado ao estilo do mestre Vitalino.Ali estavam Lampião, Maria Bonita,Padre Cícero...
Acho que ele não comprou aquela lembrança para mim na viagem que fez para encontrar o irmão na Bahia, mas me presenteou porque sentiu um desejo impulsivo de fazê-lo.De todo modo era para ser meu e pronto e eu fiquei encantada em receber o regalo.
Primeiro porque embora eu nunca tenha feito a menor força para aprender a jogar xadrez , eu acho o jogo sedutor e interessante.Segundo porque aquelas figurinhas me remetem ao prazer de ouvir histórias.
_Pronto, minha linda!- Em outras palavras:Era mesmo para ser seu!
Certamente haveria um novo encontro em casa regado a caldinho de mandioca e outras delicinhas calóricas para sustentar nossas gargalhadas e maledicências inocentes como recompensa.
Certamente haveria...mas não houve...Certamente não mais haverá.
O chumbo cruzou seu caminho e ceifou seu tempo.
_Pronto! - Diria ele se aqui estivesse,porque nesses casos toda filosofia é vã.


Um ano sem a companhia de uma amigo inesquecível,que não guardava para si os elogios que desejava fazer,que não se calava diante do desejo de fazer críticas.Nilo era o tipo de pessoa capaz de encher de energia e animação os lugares por onde passava.Abraçava com carinho presente no gesto e demonstrando sempre importar-se.
Era professor de filosofia,mas de fato era professor de vida.Inteiro,verdadeiro e entusiasmado.Sou feliz porque ele foi meu amigo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Panfletos

Passei os olhos rapidamente a tempo de ler a mensagem enquanto dirigia pelas ruas de um bairro aqui de Piracicaba.Achei que tinha que compartilhar ,então dei a volta no quarteirão e o Caio tirou uma foto com o celular.
Todos os dias sou obrigada a recolher da garagem e das grades do portão no mínimo dois panfletos.Raras são as vezes em que não há no mínimo dois panfletos do mesmo anúncio.
Ofertas de supermercado,prestadores de serviços em geral,ofertas de loja de calçados,pizzarias,telefonia...
Na semana passada,um espertinho querendo se livrar de sua carga deixou na caixa do correio um bolo cuja espessura assemelhava-se a uma lista telefônica e não eram daqueles pequenos não.Tinham aproximadamente o tamanho de uma folha de sulfite.Recolhi e coloquei no material para reciclagem.
Quando ocorre uma ventania e os moradores não puderam recolher esses presentes de grego, os papéis voam de dentro das casas para as calçadas e para o meio da rua,emporcalhando o bairro.
É tanto desperdício de papel e tinta em tempos de preocupação com  meio-ambiente que eu me pergunto :Em que planeta vivem esses anunciantes?


 OBS: Estou aprontando o post final sobre o Minotauro.Aguarde!Isto é, se o calor não acabar comigo antes!!!Deus do céu!! Torro no num país tropical!!

domingo, 28 de novembro de 2010

O Minotauro(A jornada de Teseu)








A estrada para Atenas estava repleta de malfeitores e monstros que aterrorizavam os viajantes que se atrevessem a cruzar-lhes o caminho.Em geral às vítimas era imputada uma morte brutal.
Imbuído de coragem, Teseu colocou-se a caminhar .Empunhava a espada e simulava lutas sozinho,com investidas agressivas e esquivas calculadas. No entanto, não tardou a ter que demonstrar suas habilidades de fato.
O primeiro bandido que cruzou seu caminho foi Perifetes nas proximidades de Epidauro.Saiu de uma floresta escura a fim de surpreender Teseu.Emitiu um berro grave e assustador e investiu contra o jovem , arremetendo em sua direção com sua clava de ferro em riste.Teseu girou o corpo e escapou do golpe.Com agilidade colocou-se em posição de ataque com a espada empunhada, antes que Perifetes voltasse a se lançar contra ele.Furioso e grotesco o criminoso adiantou-se pesadamente, mas Teseu já alcançara sua garganta com a lâmina reluzente.Caiu de joelhos sobre a terra o homem ferido e a vida se esvaiu com o sangue que deslizava veloz.
Teseu limpou o suor do rosto,limpou a espada e apanhou a clava de Perifetes que estava ao lado do corpo imóvel.Este era seu troféu.
Prosseguiu sua caminhada mantendo-se alerta.Assim que chegou ao estreito de  Corinto topou com o gigante Sínis.Não menos cruel do que o adversário anterior,costumava vergar o tronco de um pinheiro com seus músculos de aço e fazia seu oponente mantê-la vergada.Como isso era impraticável,a tensão contida na árvore assim que liberada lançava longe o infeliz que terminava despedaçado.Por vezes,Sínis vergava dois pinheiros e amarrava os pés da vítima na copa de um e a cabeça na de outro, ou ainda amarrava uma perna a cada tronco.Ao soltar as árvores ,dilacerava o corpo do homem sob risos cruéis.
Teseu foi colocado à prova por Sínis e vergou o pinheiro com tanta força que quebrou seu tronco.Imediatamente submeteu o terrível malfeitor à sua própria maldade, amarrando-lhe a dois pinheiros e lançando seu corpo à destruição.
Sínis tinha uma filha, Perigune que havia se escondido numa plantação de aspargos assim que presenciou a morte do pai.Ela estava tremendamente assustada e com uma inocência perturbadora suplicava às plantas que a ajudassem manter-se viva.Jurava a elas que jamais as destruiria ou queimaria se a protegessem,escondendo-a.No entanto, Teseu a viu e a chamou ,prometendo que não lhe faria mal algum.Perigune colocou-se sob a proteção do jovem e mais tarde ela deu à luz Melanipo,filho desse encontro.
O filho de Egeu não tardaria a encarar um novo desafio.Dessa vez não precisou enfrentar nenhum criminoso infame,mas um animal cuja selvageria horrorizava a região de Crômion.Filha de Tifão e da temível Équidna, Féia era uma selvagem porca antropófaga.
Teseu precisou de muita destreza para abater a fera,contudo um golpe preciso de sua espada levou o animal à morte.Deste modo, Teseu realizou mais um grande feito em sua jornada.
Os dias e as noites se sucediam e a proximidade de Atenas tornava cada vez mais real dentro de Teseu, a certeza de que seu sangue tinha algo de divino.Seu corpo, seus músculos,seus pensamentos se alinhavam com essa certeza e com a realidade vindoura:apresentar-se como filho de Egeu.
Suas sandálias, a esta altura, já aparentavam o desgaste da caminhada e já alcançavam a fronteira de Mégara.A estrada seguia por um trecho que passava pelos rochedos Cirônicos que ladeavam a costa.Nesse local instalara-se o famoso Círon que obrigava os transeuntes a lavarem-lhe os pés e quando se inclinavam, Círon precipitava-os ao mar onde eram devorados por uma imensa tartaruga marinha.
Teseu concordou em lavar os pés do homem,mas assim que se abaixou, agarrou seus tornozelos e o lançou despenhadeiro abaixo.Viu emergir a monstruosa tartaruga entre as ondas e Círon foi a última refeição atirada a ela.

Voltou para estrada e já no território ático,perto da cidade de Elêusis, foi desafiado por Cércion,um bandoleiro bruto que desafiava os viajantes para uma luta da qual ele sempre saía vencedor.Sabia-se que sem a menor piedade,matava seus adversários depois de vencê-los.
Teseu ,consolidando sua condição de herói, não hesitou em aceitar o desafio.Após algumas investidas do malfeitor,usando inteligência, agilidade e rapidez,Teseu agarrou-o, erguendo-o por sobre sua própria cabeça e lançando com energia ao chão.A violência do choque matou Cércion imediatamente.
Não demorou muito para que o herói chegasse ao seu último desafio antes de chegar a Atenas.Foi ali, ainda nas proximidades de Elêusis,que Teseu encontrou o pior de todos os sanguinários de sua jornada.Damastes era conhecido por todos como Procrusto ,o esticador de membros.Ele convidava os viajantes a descansarem em sua casa, mas de fato, o que fazia nada lembrava um descanso,mas uma tortura que gerava gritos lancinantes.Fazia com que sua vítimas se deitassem em um das duas camas de ferro que possuía.Uma era muito grande e a outra muito pequena.Caso algum estrangeiro fosse  grande, fazia-o deitar-se na cama pequena.Ao contrário, se fosse pequeno, fazia-o deitar-se na cama grande.Dizia então:
_ Ora, veja! Minha cama é muito grande para você.Ajuste-se a ela.
Depois dessas palavras, esticava os braços e as pernas da vítima até que ela morresse em profunda agonia.
Ou então :
_Lamento, meu caro, mas minha cama é muito pequena para você.Não se preocupe, daremos um jeito nesse problema.
Na sequência, cortava as partes que excediam as medidas da cama e a vítima morria devido a intensa hemorragia.
Teseu lançou-se contra o gigante e atirou-lhe na cama menor, sem que tivesse chance de defender-se.As partes que excediam o tamanho da cama foram sendo extirpadas em golpes precisos.Procrusto provou de seu próprio veneno e sua morte foi assustadora.
A jornada de Teseu foi marcada pela animosidade,pela violência e crueldade.Não demorou a chegar aos arredores de Atenas.Passou pelo rio Cefiso onde encontrou o clã dos fitálidas, descendentes do herói Fítalo.Diante do altar de Zeus participou de uma cerimônia de purificação pelo sangue que derramara.Teve seu cabelo trançado e nele vestiram uma bela túnica branca.
Pela primeira vez desde que deixara Trezena, Teseu foi tratado com hospitalidade e respeito.E assim, renovado se dirigiu para Atenas que estava bem próxima.






Entendendo o trajeto:
 Teseu parte de Trezena, a terra onde cresceu.(Troizen).
A - Seguiu para o Norte e em Epidauro enfrentou Perifetes.
B - Passou pelo estreito de Corinto.
C - Crômion,local onde abateu a porca selvagem de nome Féia.
D - Fronteira entre as terras de Mégara e Ática , nos rochedos Cirônicos.
E - Elêusis onde Teseu enfrentou Cércion.
F - Nas proximidades de Elêusis,local do confronto entre Teseu e Damastes(Procrusto)

sábado, 27 de novembro de 2010

O Minotauro(Teseu)

Atenas  suportaria essa tragédia por sete anos?
Todos viviam apreensivos e quando se aproximava o momento de enviar novas pobres vítimas a cada ano, a agonia se espalhava pela cidade.Pais, mães, familiares e amigos se enchiam de tristeza e agonia e clamavam aos deuses por misericórdia.
Na terceira remessa,Teseu se ofereceu para ir com os demais jovens.Desejava enfrentar o Minotauro e terminar de vez com o suplício dos atenienses:
_ Pai,é uma infâmia o que ocorre nessa terra.Ninguém merece ser vítima de um monstro como o Minotauro!Isso precisa acabar!
_Eu sei,eu sei!Você nem imagina o quanto isso me fere,mas é o preço que foi cobrado e a pitonisa nos aconselhou a obedecer ao rei Minos.
_Pai,permita-me acompanhar as vítimas do sacrifício desse ano.Eu sei que posso enfrentar a besta vencê-la.
No mesmo momento em que ouviu as palavras do filho,Egeu lembrou-se de Androgeu e de tudo o que se seguiu,negando ao filho seu pedido. 
O diálogo prosseguiu até o ponto em que Teseu conseguiu convencer o rei,seu pai.Nos dias que se seguiram, foi feito um acordo com o rei Minos que concordou com a ida de Teseu,pois ele também sonhava com a morte do Minotauro.Ninguém mais sabia da intenção do jovem de matar o monstro.
Os deuses condoídos com a boa intenção do jovem, enviaram a própria Afrodite para acompanhar a nau que levaria os catorze infelizes.
Mas...quem era Teseu?
Aproximadamente uns vinte anos antes de tudo o que foi narrado até agora, Egeu já era o rei de Atenas,seu reinado era próspero, contudo , até então não possuía filhos e via seu trono ser ameaçado por cinquenta sobrinhos ambiciosos, filhos de seu irmão Palas.Resolveu procurar o oráculo de Delfos e de lá voltou com um enigma que não conseguiu decifrar:"Não abra o odre de vinho antes de chegar a Atenas".Durante a viagem de volta, parou na cidade de Trezena,cujo rei, Piteu,tinha poderes divinatórios.
Assim que o anfitrião soube do enigma,as coisas se tornaram claras para ele.Estranhamente, o oráculo já lhe havia anunciado que sua filha Etra não haveria de se casar,contudo seria a mãe de um filho famoso.
Um lauto jantar foi providenciado e Egeu foi tratado com todas as honras que cabiam a um rei de tão alto valor.Ardilosamente Piteu embriagou o hóspede com vinho e o fez deitar-se com sua filha.Na mesma noite, a moça recebeu ordens, em sonhos, de ir até à ilha santuário de Atena, onde Poseidon também deitou-se com ela. Etra engravidou.
Dias depois, Egeu anunciou que precisava retornar para Atenas.Todos sabiam da instabilidade que seus sobrinhos vinham causando em Atenas e a compreensão foi geral.Esse novo relacionamento acendia a esperança no coração do rei.Ele precisa urgentemente de um herdeiro.Não estranhou o consentimento do pai da moça,embora ambos soubessem que ela não poderia ser assumida como esposa.Piteu confiava no oráculo e esperava que o neto um dia se tornasse rei de Atenas.
Na praia,momentos antes de embarcar rumo Atenas,chamou Etra e diante dela colocou sua espada e suas sandálias sob um rochedo:
_Etra, se o deuses forem favoráveis e você gerar um filho meu,crie-o em segredo.Ninguém deve saber o nome do pai desse menino.Quando ele estiver suficientemente forte e desenvolvido, traga-o até aqui, mostre-lhe esse local e peça para que ele mova o rochedo.Em seguida, munido da espada e das sandálias ,envie-o para Atenas.Faça tudo secretamente e esclareça-o sob os riscos que correrá se revelar sua identidade.Meus sobrinhos serão capazes de matá-lo sem a menor compaixão.Apenas o trono lhes interessa.Eu serei capaz de reconhecê-lo através da sandálias e da espada.
Assim, nasceu Teseu.A todos foi anunciado que o menino era filho de Posseidon.Havia uma atmosfera especial diante desse anúncio, pois esse era o deus que aquele povo costumava honrar com oferendas e sacrifícios.O tridente era o símbolo de Trezena.Deste modo, não havia espanto, apenas satisfação diante do nascimento do filho de Posseidon.
Conforme a solicitação de Egeu, nunca se falou que ele era o pai do menino.De fato não era.
O menino cresceu.Sua estatura e força impressionavam,além disso era determinado e inteligente.Etra sabia que chegara o momento de lhe revelar o local onde se encontravam a espada e as sandálias e assim o fez.Para que Egeu tivesse um herdeiro, Teseu precisava reclamar o trono.Caminharam pela mesma praia de onde anos antes , Egeu partira.
_Você sempre quis saber quem é o seu pai.Ouça com atenção.
Etra contou toda a história ao filho e apontou-lhe o rochedo que deveria mover.

Cheio de energia e entusiasmo,moveu a pedra, apanhou a espada e calçou as sandálias.Ainda admirado com tudo aquilo,ouviu sua mãe:
_Filho querido,vá para Atenas.Siga pelo mar e encontre seu pai.
O avô também o aconselhou a seguir pelo mar,pois seguir por terra,pelo Peloponeso seria um risco imenso.Havia muitos bandidos no caminho.
Essas considerações deixaram o rapaz animado.Desde que Hércules estivera em Trezena e se sentara à mesa com seu avô Piteu,sonhava  com a possibilidade de viver aventuras semelhante.Decidiu sem pestanejar, seguiria por terra.
_Mãe,que pensará meu pai, se eu desembarcar simplesmente?Não será necessário que eu demonstre minha fibra?Eu não deveria empreender uma viagem que careça de coragem e honre suas sandálias com poeira e sangue?
O avô sorriu cheio de orgulho e satisfação por reconhecer no neto as características de um heroi. A mãe não teve outra opção senão abençoar o filho.Assim, partiu Teseu,o filho de Posseidon, o filho do rei Egeu.

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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Recebi um selinho



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domingo, 21 de novembro de 2010

O Minotauro (parte 2)

Posseidon procurou Afrodite , lhe contou o episódio e pediu a ela que provocasse em Pasifae uma paixão incontrolável pelo touro branco.Acometida pela maldição imposta pela deusa, a esposa de Minos ficou perdidamente apaixonada pelo touro a ponto de pedir à Dédalo,o famoso arquiteto da ilha,que criasse um artefato de madeira na forma de uma novilha onde ela se acomodasse e assim  pudesse se entregar ao touro.
Não tardou a engravidar e para seu espanto,pariu o monstruoso Minotauro.Em uma sociedade que privilegiava o controle sobre os instintos e o bom-senso,Pasifae simbolizou o instinto cego que pode gerar qualquer coisa.O fruto de sua paixão era uma criatura terrível de aparência e atitudes pavorosas, pois se alimentava somente de carne humana.
Minos,um homem de sabedoria, compreendeu a vingança do deus oceânico e não se voltou contra sua amada, mas era necessário tomar uma atitude capaz de conter o instinto assassino do Minotauro e mais uma vez recorreu ao inventor:
_ De que modo, meu caro Dédalo, podemos confinar essa criatura e afastá-la das pessoas?Por favor, crie uma jaula, algo capaz de conter esse monstro antes que ele cresça mais e se torne impossível controlá-lo.
_ Eu pensarei em algo, senhor, que seja  a melhor maneira de conter o Minotauro.
E assim, Dédalo elaborou um labirinto cheio de curvas irregulares que desorientavam os olhos e os pés de quem  o adentrasse.Incontáveis corredores se multiplicavam-se uns dentro dos outros, entrecruzando-se o que tornava impossível sair de dentro dele.
Enquanto o labirinto ia sendo construído,Posseidon agiu implacavelmente enfurecendo o touro branco sagrado, o pai do Minotauro.A custa de muito sacrifício os homens de Creta conseguiram dominá-lo e levaram-no para a Argólida a mando do rei.
Não tardou para que em liberdade começasse a atingir regiões próximas de Atenas, devastando tudo por onde passava e ficou conhecido como o touro de Maratona justamente pelo fato de causar pânico nessa cidade durante o período dos jogos Pan-Atenaicos.
Esses jogos eram muito populares na região de Atenas e Androgeu, filho do rei Minos,não só participou de todas as modalidades como venceu todas com notável habilidade.Ele era um jovem forte,alto,um lutador famoso por suas façanhas. Impetuoso, foi incitado pelos atenienses e desafiado pelo próprio rei Egeu a enfrentar o touro de Maratona.Ele conhecia o touro branco sagrado que ninguém ousava enfrentar.Muitas vezes o admirara , vendo-o correr majestosamente  nos campos de sua terra natal.Sabia que o animal havia se transformado em uma besta feroz,mas ainda assim acreditava poder subjugá-lo e confiava em suas habilidades , com touros.Infelizmente não pòde e em uma investida surpreendente , o touro branco o atingiu com violência no ventre e o jovem campeão acabou morto em terra.
Ao receber a notícia da morte do filho, Minos sentiu a profunda  e inigualável dor de um pai que perde seu tão amado rebento e viu a fúria transpassar-lhe, pois percebeu a culpa dos atenienses nesse terrível episódio.Não havia como manter o caráter diplomático diante de tamanha afronta.
Minos reuniu uma armada e partiu para a costa grega a fim de vingar a morte do filho.Tomou a cidade de Mégara, entretanto não conseguiu invadir Atenas que ficou isolada e o cerco prolongado dos cretenses levou a fome àquele povo.Desesperados,os atenienses recorreram ao Oráculo de Delfos para consultar a Pitonisa.Essa era a derradeira tentativa de encontrar uma solução para as desgraças que os acometiam.E ouviram:
_Para se livrar de todos os males, aceitem o que lhes ordenar o rei Minos.
Egeu não viu outra saída a não ser seguir os conselhos do oráculo e ouviu as exigências do rei cretense:
_Durante sete anos, Atenas deverá enviar a Creta sete belos rapazes e sete belas donzelas para saciar a fome  do Minotauro.O tributo poderá ser imediatamente suspenso se algum dos jovens que adentrar o labirinto conseguir sair de lá vivo.Esse é o preço que Atenas pagará pela morte de meu filho Androgeu.
Com o coração contrito, Egeu abriu as portas de Atenas  e viu o próprio rei Minos escolher os catorze jovens e os encaminhar para o navio que os levaria para a morte certa.
  


créditos da imagem : http://decifroedevoro.blogspot.com/2007/10/blog-post_04.html

sábado, 20 de novembro de 2010

O Minotauro (parte 1)

Eu não conheci o Minotauro através de livros,mas através da televisão, assistindo ao Sítio do Picapau Amarelo.
A obra de Monteiro Lobato ,que hoje está causando burburinho no cenário das tentativas do politicamente correto,chegou até mim por intermédio da telinha ainda em preto e branco.Era um mergulho de cabeça na fantasia do qual eu não abria mão.Voltava voando da escola e não falava com ninguém até que o episódio chegasse ao fim.
Eu morria de inveja de uma amiga de uma colega de escola.Ela se chamava Ariadne.E Ariadne era uma menina bonita de cabelos longos e cacheados, delicada e simpática.E Ariadne, a amada de Teseu, era também o nome da minha heroína favorita àquela altura.
O que Ariadne, Teseu e o Minotauro tem a ver um com o outro?Onde eu entro nessa história?

Na ilha de Creta, desenvolveu-se uma fantástica civilização chamada minoica em virtude do título dado ao rei de Creta, Minos, e quer dizer faraó.Apesar de terem sido feitas maravilhosas descobertas arqueológicas dessa civilização,sabe-se pouco sobre ela, pois sua escrita nunca foi decifrada(exceto pela chamada quarta escrita).Sabe-se que a civilização minoica , juntamente com a egípcia são a base da cultura helênica.

Faço uma sugestão de leitura para quem aprecia mitologia grega:












Minos

As cores estavam em tudo,cores vivas que destacavam a maestria das pinturas que forravam as paredes.O rei Minos apreciava passar pelos corredores para descobrir um novo detalhe que lhe havia passado imperceptível na ronda anterior.Falava consigo mesmo e deslizava os dedos suavemente nas bordas das cores , nos contornos e sentia-se satisfeito com a precisão do artista e a energia que emanava do cenário.
Ao caminhar pela ala leste de seu monumental palácio,Minos detinha-se sempre com mais cuidado diante da imagem das toureiras saltando sobre o touro sagrado.Respirou profundamente e refletiu sobre como desejava que as pessoas compreendessem a necessidade de vencer os instintos.Superar o touro não é apenas um desafio pessoal dos próprios limites físicos.
Reparou na fluidez dos movimentos femininos e na destacada oposição de massa corpórea entre o touro e as mulheres e ficou satisfeito por Cnossos abrigar em suas paredes  arte e sabedoria.Orgulhava-se de seu palácio sem muralhas o que significa que seu governo era o de uma sociedade que dependia de sua capacidade diplomática e não muralhas e força.
Em todo o palácio havia sinais da importância do touro sagrado para ele e seu povo.Eram chifres de ouro em todo o palácio para que a lição não fosse esquecida.
Ainda no período da manhã,inspirado por essa aura contemplativa,passou pelo afresco onde damas de azul revelavam a leveza e a liberdade feminina que ele tanto valorizava.Todos os dias fazia questão de acordar a consciência para a importância de vencer a brutalidade, de evoluir.
 e depois de longos minutos , seguiu para o templo de Posseidon, o  deus dos mares tão cultuado na ilha.
Enquanto fazia uma oferenda, foi surpreendido pelo próprio deus.
_ Oh, Meu senhor! Que honra encontrá-lo aqui.Vim para agradecer mais uma vez pela proteção que o senhor dos mares tem concedido ao meu reinado.
_ Sim.Minos, vocês está realmente disposto a provar sua devoção?
_Claro!Farei um sacrifício com o que houver de melhor para agradecer a glória que atingiu o meu império, senhor! Falava isso sem erguer os olhos.
_ Venha comigo.
Antes que inspirasse o ar mais uma vez para respirar, Minos estava na praia com o Posseidon a seu lado.Ainda atordoado com a experiência e com a luz intensa do sol,viu sair da espuma da arrebentação um touro branco magnífico como nunca nenhum mortal tinha visto ainda.
Sentiu uma forte pressão no peito causada pela angústia do que deduziu no mesmo instante.Ele teria que sacrificar aquele animal espetacular.Olhou ao redor como se pudesse ainda argumentar, mas o deus o levou de volta com o animal para diante do templo onde permitiu  que o rei o visse.
A beleza do animal era absolutamente extraordinária e todos os que o viam enchiam-se de deslumbramento.
_Pasifae, minha amada esposa,não é possível que Posseidon sinta-se satisfeito com o sacrifício de um ser tão majestoso.
_Já imaginou as toureiras saltando sobre ele?Não seria de encher os olhos e o coração?Completou a rainha.
Minos que tinha o senso de preservar tudo o que era belo,achando mesmo que seria uma violência sacrificar o animal,achou que Poseidon não se importaria e sacrificou o mais belo touro de seu rebanho em vez do touro branco.
Contudo, o rei não levou em conta o fato de que os deuses vêem o que os homens são incapazes de ver.E. embora o sacrifício apresentado tenha sido grandioso para os padrões humanos, Minos não cumpriu a promessa que fez a Posseidon e essa atitude custaria um preço muito alto.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Bernardo

A fase Belo Horizonte inscreveu em minha natureza sociável , mas quase sempre restrita,um capítulo indelével.Como tradução de marcas tão profundas de amizade ou melhor, de tão profundas amizades, não encontro a palavra exata e cá estou eu deslizando para dentro de um clichê.
Acho que em vez de ressaltar as qualidades dessa forma tão especial de amor que chamam por aí de amizade(Eu prefiro chamar de amor mesmo),prefiro contar algumas histórias que testemunharam o engendrar desse sentimento.

O primeiro

Aula de uma disciplina do ciclo básico na UFMG,muitas vozes, um sotaque marcante que àquela altura me incomodava muito e me fazia sentir muito mais saudade de casa.Minhas tentativas de aproximação não haviam sido tão bem sucedidas eu pensava:"Por que diabos eu tinha de estar ali?"
Havia deixado para trás companhias adoráveis, inteligentes e bem-humoradas e agora , além de ter de reconstruir meu espaço e meu círculo de amizades , tinha de fazê-lo em meio a uma porção de jovens com senso de competição acirrado.Estava cercada de pessoas que haviam acabado de ingressar na universidade e eram provenientes de cursos variados para cumprir o obrigatório ciclo básico : engenharia, filosofia, direito, letras, matemática...Eu que ali chegara através de transferência, precisava cumprir esse créditos e fui incluída nessa turma.
Havia gente de todos os tipos,mas em geral era um pessoal muito bonito,mais bonito ainda era um tal Bernardo que fazia o curso de direito e que certo dia se aproximou de mim perguntando se eu era de São Paulo.Confirmei e ele abriu um sorriso cheio de dentes alvos e simpatia singular."Adoro São Paulo!Adoro o povo de lá ! É uma gente tão pra frente,de mentalidade aberta." Por um instante,incomodada com aqueles dias de sentir-me como uma estranha no ninho, quase pensei que ele estava sendo irônico.Mas, não! Ele continuava ali com aquele sorrisão pregado na cara à espera de um acolhimento.Ri e antes que fizesse qualquer comentário completou :" Ah!Diferente do povo de Belo Horizonte que é tão provinciano."
Essa aproximação começou a desmanchar a nuvem negra que pesava sobre mim e com o passar dos dias, aquela presença foi me levando a outras.Bernardo era um rapaz muito inteligente.Eu sempre me impressionava com suas intervenções nas aulas de economia.Ela sabia tanto sobre  neoliberalismo e  globalização.                                                
Uma de suas grandes paixões era a música clássica e ele foi me ensinando algumas coisas e sempre se emocionava profundamente ao ouvir obras-primas que estavam contidas em inúmeros cds organizados alfabeticamente em uma imensa gaveta que ficava em seu quarto.Morava em um apartamento no bairro Santo Antônio,uma das ruas mais íngremes que eu conhecia naquela cidade.
Esse mineirinho de Curvelo colecionava histórias muito interessantes de família  e de amigos.Vivia sob a asa protetora de uma mãe que ainda lhe comprava roupas e ficou mais próximo de mim ,após um certo desapontamento amoroso. Ele confiava a mim seus segredos e eu confiava-lhe uma espécie de devoção.A partir do semestre seguinte nunca mais seríamos colegas de classe.Ele foi para a faculdade de direito e eu fiquei ali mesmo no campus para cursar as matérias que me faltavam para obter minha graduação em letras.
Mesmo assim, ele frequentava minha casa e era amigo da minha família.Socorria-me quando eu precisava.Chegou a passar de madrugada no hospital em que Mariana ficara internada por conta de uma apendicite.Eu ajudava-o a renovar o guarda-roupas, ouvia suas tristezas a qualquer hora e o acompanhava a alguns concertos musicais.
A partir do segundo semestre , conheci outras pessoas que vieram a se tornar fundamentais na minha vida e a elas apresentei meu amigo Bernardo,meu irmão Bernardo.Esses encontros deram início a uma grande mudança de paradigmas na vida desse moço e nossos laços se estreitaram para além da presença física.
Inesquecível foi o dia em que ele me chamou para assistirmos à ópera Carmen no Palácio das Artes.
libreto da ópera (1999)
A essa altura ele era meu grande incentivador no Flamenco e sabia o quanto eu gostava também da obra de Bizet.Assim que começou o intervalo ele me disse que queria me dar uma coisa e me entregou seu convite de formatura.Fiquei muito feliz e o abracei, parabenizando-o pela conquista e demonstrando meu orgulho por ele.
Pediu-me para folhear o convite.Folheei meio agitada ainda devido ao impacto da ópera.Ele insistiu , respirei e cheguei ainda displicente aos agradecimentos:

Ao ver meu nome ali,senti algo semelhante ao que devem sentir as personagens de filmes americanos quando o amado se ajoelha,lhes oferece uma caixinha e lhes propõe casamento.Exageros à parte, o fato é que eu não esperava tal demonstração de afeto.Eu sempre estive tão mais acostumada a oferecer do que a receber,a demonstrar do que assistir a alguma demonstração que isso me possibilita compreender o fato de tamanha comoção.
Na vida todas as pessoas precisariam experimentar esse tipo de afeto pelo menos uma vez.Escapar das redundâncias superficiais das relações, do desgaste da convivência e fazer emergir serenas pérolas.Ninguém deve se negar esse direito e ninguém deve esconder do outro a força e a intensidade dessas conexões afetivas.
Na rocha árdua das montanhas de Minas colhi alguns corações.Quentes, borbulhantes, perplexos,inseguros,intensos,imensos,inquietos, vorazes,felizes ou quase.Todos corações vibrantes e aprendizes nessa jornada que se chama vida.O coração de Bernardo também.