sexta-feira, 13 de maio de 2011

The Whisperer

Sentado à mesa do restaurante do navio, lorde Montagu aguarda a chegada de Eleanor.Ela ainda está em sua cabine ajeitando os cabelos,finalizando a maquiagem ou trocando os sapatos que talvez tenha julgado insatisfatórios.Seguem para a Índia onde o lorde deverá assumir o comando de uma unidade militar britânica e  ser responsável pela unidade motorizada.
Lorde Montagu não estranha a demora,tamborila na mesa,serve-se de mais um gole do copo de cristal,confere as horas em seu relógio de bolso.Antes que os ponteiros lhe comuniquem algo,um forte impacto lança tudo pelos ares,muitas pessoas perdem os sentidos,outras tantas gritam desesperadas e  ninguém  consegue coordenar os pensamentos 
Era 30 de dezembro de 1915 e em menos de dez minutos o SS Persia desapareceu nas águas tensas do Mediterrâneo.Rompendo o tratado naval que afirmava que aos navios mercantes ou de passageiros deveria ser dada uma chance,um aviso para o desembarque antes do ataque,o submarino alemão U-38 lançou um torpedo implacável e centenas de  vidas se perderam.
O Pérsia e Eleanor jamais chegariam à Índia.Sucumbiram juntamente com parte do séquito do marajá de Kapurthala e jazem no leito frio e escuro do mar entre rubis, safiras e esmeraldas.
O silêncio certa vez sugerido por uma pose de Eleanor ao ser  modelo para o famoso escultor Charles Sykes tornou-se definitivo.Silêncio?
Durante as trinta e seis horas em que esperou ser resgatado, John Walter flutuava entre os destroços do navio e de sua vida.Os pensamentos seguiam feito ondas tumultuadas, escapavam entre os minutos, entre as horas que o relógio de bolso não marcava mais.Aliás,cadê ele?Deixou de existir,seguiu seu destino de náufrago entre  restos de lógica e destruição.Sucumbiu.Como quase sucumbiu o lorde.A água, o sol e o medo rondavam-no como o rondava o espírito da morte.E Eleanor?Sentia que esse capítulo de sua vida também naufragara.Sua face era a face do terror.
Eleanor não era sua esposa , era sua secretária e amante.Era mais, era seu amor.A paixão entre eles era intensa,mas não lícita.Além do fato de  ser um homem casado,ela não pertencia à aristocracia e seu status a colocava em uma condição de inferioridade.Diante de seu título,jamais a jovem de origem espanhola poderia adentrar os salões como esposa.Não naquela época,não sob as garras da Inglaterra vitoriana.
Nesse mesmo período,uma geração de milionários,industriais e nobres se rendia ao luxo e sofisticação dos automóveis Roll-Royce e John Walter nutria uma paixão desmedida por carros.Por este motivo tornara-se editor da revista inglesa The Car Illustrated e proprietário do famoso modelo Silver Ghost.Foi ele o primeiro a dirigir um automóvel nos jardins do House of Parliament e foi dele também a responsabilidade de  apresentar ao rei Edward VII o mundo do automobilismo.
A atmosfera do luxo e da exclusividade era o ar que lorde Montagu respirava,desejou assim uma mascote para seu estimado automóvel,mas não era somente a excentricidade  e a ostentação que o movia,era a paixão, era Eleanor.Seu círculo de amigos recheado de personalidades importantes contava com a presença do famoso escultor Charles Sykes e foi a ele que o lorde solicitou a criação.
Eleanor era ,sem dúvida,a musa .Vestida em um fino tecido esvoaçante posou como uma figura fluida,uma deidade.Colocou o dedo indicador sobre os lábios cerrados,sugerindo silêncio,sugerindo o segredo da relação amorosa entre ela e seu amado.Já que a alta sociedade londrina jamais aceitaria seu romance,ele circularia com um símbolo desse amor.
A estatueta em bronze era soberana ao adornar o capô do carro pessoal de lorde Montagu e apenas um grupo restrito compreendia o significado daquela imagem, The Whisperer...

Se ele pudesse voar nas asas de sua musa com o vento varrendo-lhe a dor,enxugando-lhes as lágrimas...Quando lhe estendem a mão e o resgatam da água,ouve um idioma com o qual não tem afinidade.Tem o olhar assustado ,o corpo gélido e uma triste história cujo ponto final se inscreve no obituário publicado nos jornais londrinos...Eleanor Velasco Thornton.



Eleanor era amiga de Anita Delgado, "protagonista" do livro Paixão Ìndia que estou terminando de ler.Alguns dos fatos citados aparecem no diário pessoal de Anita e a história me encantou.Histórias de amor sempre me encantam. A estatueta criada por Sykes se transformou posteriormente na emblemática figura Spirit of Ecstasy,a dama inclinada com os braços para trás que recebe o vento de frente,símbolo da luxuosíssima Rolls-Royce

“A graceful little goddess, the Spirit of Ecstasy, who has selected road travel as her supreme delight and alighted on the prow of a Rolls-Royce motor car to revel in the freshness of the air and the musical sound of her fluttering draperies.” – Charles Sykes, 1911


terça-feira, 26 de abril de 2011

Menudo

Éramos meninas e meninos do mundo inteiro fascinados com mais um produto da mídia.A bola da vez era um grupo de meninos latinos que cantava e rebolava canções específicas para o público adolescente.Se você tem hoje em torno de 40 anos, deve saber de quem eu falo.Sim, o Menudo.
Os programas de televisão (nem se falava em canais pagos) exploravam ao máximo essa febre.Repetiam incansavelmente as chamadas das apresentações do grupo,seus videoclipes (conceito fora de moda em tempo de youtube,myspace e similares),suas entrevistas e tudo o que pudesse se relacionar ao tal fenômeno.
Corríamos às bancas de jornal para adquirir revistas, jornais,pôsteres,álbuns,figurinhas e todo tipo de material possível que contivesse algum registro capaz de aplacar a febre de fã.Nada muito diferente do que ocorre hoje .A diferença reside apenas nos meios de acesso aos dados que a tecnologia oferece.
Cantávamos os maiores sucessos e sabíamos até mesmo as canções mais obscuras.Era comum também exibirmos as coreografias e o  figurino.
Eu estava no 1º ano colegial e até conseguia imitar a voz do Robi Rosa,o mais expressivo dos meninos até a chegada de Ricky Martin.Uma colega até me dizia: " Só precisa melhorar a pronúncia do inglês." Até hoje não sei por quê.Será mesmo?Nunca consegui perceber isso nitidamente,afinal meu inglês era incipiente mesmo e ela não era melhor do que eu nessa matéria.
Meu irmão namorava minha cunhada naquela época e era comum que houvesse certos encontros entre nossas família.O irmão da Eliana tinha praticamente a minha idade e devia ser mesmo tão bobo quanto eu.Certa vez fomos todos juntos para a praia.Mongaguá?Itanhaém?Peruíbe?Nem me lembro direito, pois as três cidades faziam parte do circuito de visitas à praia que fazíamos habitualmente.Eu e o Edinho, hoje um respeitável pai de família e profissional de destaque , divertíamos a família cantando e dançando " Canta,dança, sem parar...Sobe, desce, como quiser...Sonha,vive como eu...pula,grita....Não se reprima,não se reprima...ooooo". 
Minha irmã ,quase doze anos mais velha do que eu, sempre foi muito fechadona.Não era com ela que eu me abria,pedia um conselho ou partilhava emoções.A essa altura de nossas vidas, ela já era casada e tinha um lindo menininho de cabelos loiros.Não entendi muito bem quando ela um dia me anunciou que tinha dois ingressos para irmos ao show do Menudo no Ibirapuera.Se o termo ficar nas nuvens não tivesse sido interpretado pelo meu intelecto até aquele momento,minhas sensações recobriam exatamente a metáfora.
Eu sabia que da minha mãe não viria nem dinheiro nem companhia para ir a um show desses.
Minha Tata, exatamente assim que todos a conhecem até hoje,me levou.Ficamos a uma centena de quilômetros do palco.Provavelmente um dos piores lugares do ginásio,devo dizer, cenário tristemente agravado por uma miopia horrorosa que mal me impedia distinguir os membros do grupo,mas eu estava lá ouvindo,cantando, dançando e vibrando com toda aquela bobagem juvenil.E tudo passou, como naturalmente tudo passa.
Lendo as notícias na internet hoje, fui surpreendida pela notícia de que Robi anunciou que está com câncer no estômago e já iniciou o tratamento lá no Texas.Depois do fenômeno Menudo, Robi ajudou a produzir e compor alguns sucessos de Ricky.
Revendo alguns vídeos e fotos recordei algumas coisas do período em que ele esteve em destaque na mídia, algumas das quais relatei para vocês.Não renego minha boberite adolescente, pq havia muita verdade nos meus sentimentos ; a mistura da ingenuidade do período em que não somos nem crianças, nem adultos;quando somos o meio do caminho sofrendo os bombardeios hormonais, a pouca compreensão dos mais velhos e quando tudo soa tão dramático. Isso é algo que deve estar acima de qualquer julgamento.
Boa sorte ao sempre talentoso Robi.


sábado, 23 de abril de 2011

El Cid


- Nesse feriado eu vou assistir Os Dez Mandamentos,sossegadinho em casa.Nada de viajar.Minha esposa ainda está se recuperando da cirurgia.
- Aquele antigo com o Charlton Heston?
- Esse mesmo!-Entusiasmou-se.Você conhece?
- Ô! E gosto muito!Aliás gosto muito dos filmes antigos.
Essa declaração soou como notícia alvissareira.Ponto entrelaçado para prosseguir a conversa.
- Eu vi algumas das gravações de El Cid lá em Valência.Antes que eu pudesse fazer qualquer pergunta ele prosseguiu. - Eu saía da escola apressado, pegava o ônibus e descia até a praia onde eles estavam filmando.Eu tinha uns oito anos.
Imediatamente comecei a fazer eu mesma meu próprio filme,minha tela ensolarada  na luminosa distância de um tempo que não vivi.Vi o garotinho apressado de calças curtas, sapato de amarrar e meia batendo nas canelas,camisa branca de gola suada e bolso guardando uma guloseima.Aproximava-se ,encontrando caminho por entre as pernas dos adultos que desejavam ver de perto a italiana Sophia Loren e o expressivo Charlton Heston.
A façanha do garotinho se repetiu por vários dias e seus sapatos deviam levar de volta para casa os grãos da areia histórica,areia de ampulheta , escorrendo pelo calendário da vida e migrando para dentro de mim.
- A primeira exibição do filme foi lá em Valência em tela panorâmica.Todo mundo foi ver.
A conversa precisou ser interrompida,pois era horário de trabalho.Tantas perguntas ficaram no ar...O jeito foi assistir ao filme novamente.Dessa vez no youtube e em Espanhol.Vez por outra querendo enxergar um molequinho de calças curtas invadindo a tela.



Abaixo algumas fotos da locação de filmagem:



Se gostar da ideia de assistir ao filme como fiz,deixo aqui a primeira parte,depois é só seguir a sequência no youtube.



sexta-feira, 22 de abril de 2011

Belo Horizonte e arredores (parte II - o imperador Adriano)

Às vésperas do lançamento de mais um livro,a energia de Drico não poderia estar melhor,mas ao mesmo tempo que parece ser fácil falar sobre ele, tal qual o livro de areia que protagozina um de seus livros,torna-se imensamente difícil falar sobre ele.
A verdade é que meu coração é capaz de ler todas as suas histórias e compreendê-lo de maneira imediata. O problema é que as palavras se misturam com os sopros da vida, com os ventos dos sentimentos e o que se fala é nova duna, atrás de outra.
Para se falar de Adriano é preciso compreender que nunca se poderá falar de Adriano,no máximo poder-se-á falar dos encantos de Adriano.
Antes de seu talento de escritor-poeta-professor, enxergo o menino que precisava dormir todas as tardes,que fazia longas caminhadas,que adorava jogar basquete, handball e que só sabia nadar de costas igualzinho ao personagem Jerry da dupla Tom e Jerry.Eita menino cheio de imaginação!Com ele eu podia brincar que as bolhinhas de ar de dentro da piscina eram o que mesmo, Drico?? Acho que qualquer coisa menos bolhinhas de ar...
E ,se quando eu era criança, achava que a poeira que bailava nos feixes de luz da janela do quarto eram fadas,com meu amigo eu podia imaginar mais.
Fazia muito tempo que a gente não se via, não se tocava.Nossa comunicação ficou restrita aos e-mails e aos telefonemas.Nada mais cruel para quem ama.
Há muito anos,ele me entregou uma folha com um poema do Gonçalves Dias:


Seus OlhosSeus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
Estrelas incertas, que as águas dormentes
Do mar vão ferir;
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Têm meiga expressão,
Mais doce que a brisa, - mais doce que o nauta
De noite cantando, - mais doce que a frauta
Quebrando a solidão,
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
São meigos infantes, gentis, engraçados
Brincando a sorrir.
São meigos infantes, brincando, saltando
Em jogo infantil,(...)

Puxa! Eu adorava o tal poema e ele ali, inteirinho escrito pelas mãos do meu amigo Adriano.Ele que compreendia bem a minha alma inquieta e alvoroçada pela poesia.Ele que também de origem humilde saltou para a vida como os peixes do Rio Piracicaba.
Participamos os três:Eu ,Bernardo e Adriano de momentos marcantes das vidas uns dos outros como se do livro da vida ouvíssemos : " Não sei! Só sei que foi assim..."


No domingo pela manhã,resolvemos visitar Inhotim.Honestamente eu não tinha a menor ideia do que esperar,mas lá fomos nós.Abaixo postei algumas das fotos que tiramos lá.








Tamboril, a maior árvore de Inhotim
À beira de um dos lagos...um doce pelos pensamentos deles.
Essas plantas são tão cheias de possibilidades imaginativas.... Isso não parece um jardim
de polvos ?


As caminhas são compensadas pelo paisagismo.


Adorei essa galeria... Abre-te, Césamo!

É duro não saber onde as coisas começam ou terminam.Se é que começam ou terminam.

Essa galeria realmente impressiona.
Élio posando no banquinho feito de um tronco.


quinta-feira, 21 de abril de 2011

Belo Horizonte e arredores (parte I)

Pegar a estrada que me levou a BH há mais de 15 anos e que depois me trouxe a Piracicaba para desenhar uma trajetória de reencontros me enche de ternura.Ternura,eita palavra difícil na boca do povo de hoje em dia!Apenas uma final de semana é muito pouco para dar conta de atender à necessidade de dividir o tempo que o tempo recobriu de saudade.Contudo, tentamos.
Bernardo e Adriano são duas das pessoas com as quais eu desejo passar minha velhice,sob o risco de nunca,jamais envelhecermos- exceto na casca.As gargalhadas mais espontâneas,a sinceridade crua e muitas vezes dura, o olhar amoroso e profundo, a nudez da alma,a transparência da admiração são alguns dos ingredientes que se entrelaçaram para compor essa música que somos.Música clássica alimentada por Bernardo( hoje um pouco mais tecno),os tambores de Adriano,meu cigano lado que transita do flamenco ao rock.Somos uma diversidade una.Somos e seremos eternos enamorados. 
O tempo judia,inventa a distância e faz questão de passar correndo quando sente inveja da felicidade alheia.
Os poucos momentos que tivemos foram invejáveis mesmo.Até eu senti inveja !

Da enorme janela da sala,vê-se BH, crescendo,crescendo...
Para que os cenários do nosso encontro adquirissem maior mineiridade,passeamos pela Serra do Rola-moça,já ouviu falar?Esse também é o nome de um poema de Mario de Andrade. 

Havia uma chuva se formando em torno de nós e víamos as nuvens carregadas se alastrarem feito imensa praga de gafanhoto.À medida que subíamos a serra,acabamos deixando-as atrás em sua velocidade paciente.Resolvemos assistir de camarote um espetáculo da natureza no Mirante Morro dos Veados.Lugar impressionante!Os olhos demoram para captar a expressão do lugar.
Impressionou-me escutar o vento.Parecia a cavalaria alada arrastando com vigor  a massa de nuvens acorrentada.Os olhos ardiam de prazer com aquela beleza terrível!De arrepiar mesmo!
Ali da beirinha, de frente para a face verde das montanhas curvilíneas e voluptuosas.Conversei com o vento que passava nervoso- talvez acelerado pelas asas do milhares de Pégasos - E vinha atabalhoado,trombando forte contra as costas das montanhas.O ruído alto cambaleava de uma pra outra borda e quando chegava ali onde eu estava, derramava-se em uma energia gélida,varrendo tudo com força.Não era canção era pressa-mensageira...aí vem a chuva!
Caio e Be








O frio intenso e o medo dos raios nos fez devolver as rodas para a estrada.Sinuosa, estreita e intimidadora.
Nosso objetivo na sequência era chegar a um local chamado Verde Folhas (assim mesmo sem concordância).Lugar lindo,muito interessante para um contato com a natureza.Assim que chegamos ao restaurante e eu já começava a preencher o termo de responsabilidade para que o Caio pudesse realizar as atividades de aventura,a chuva chegou.Parecia a chegada da tal cavalaria na companhia de Zeus, cuja presença anunciava lançando raios.Resultado : práticas suspensas para a frustração de Caio e meu alívio,uma vez que um dos raios caíra ali bem perto de nós,perto o suficiente para chamuscar os braços e as costa de uma garotinha que havia acabado de se dirigir para o local de arvorismo.
O jeito foi ficar ali,assistindo a chuva, sentindo a presença do sagrado na beleza da natureza.Não dava vontade mesmo de ir embora, mesmo sabendo que no fundo a chuva não passaria tão já.
Mesmo embaixo das gotas geladas, Élio , Caio e Bernardo resolveram descer para a cachoeira.Na hora achei a ideia a coisa mais infeliz do mundo.O céu muito cinza, a tarde chegando no seu finalmente,lama para todo lado ,uma chuvinha fina e fria e o meu espírito avesso a aventuras...Deixei-os ir à frente.Era uma descida razoável entre pedras e degraus com a feliz ideia de cabos de aço para apoio.Mal comecei a descer no meu ritmo estrategicamente lento e cuidadoso,senti medo.Eu sou mesmo muito medrosa quando se trata de enfrentar a natureza ,seus insetos e suas surpresas,admito.Eu poderia voltar, admitir o medo,ficar esperando no restaurante, no carro me mordendo de curiosidade e vontade,ou eu poderia arrancar as sandálias, enfiar os pés nus na terra melada,encharcar minha roupa, bater o queixo de frio e...
Se é que eu calculei tudo assim tão racionalmente, não tenho a menor noção,pois em fração de segundos, respirei, e larguei as sandálias que escorregavam muito de lado,pedi licença e iniciei a descida com uma coragem desconhecida.Algo intenso, forte e reenergizante tomou conta de mim.Alguns degraus eram altos e senti os músculos das minhas coxas repuxarem.Ao me verem,os meninos me saudaram.Bernardo me deu a mão e transpus o último obstáculo antes de chegar a ela, a Cachoeira das Piabas.Só estávamos nós e os seres invisíveis.
Élio e Be

Eu e Be

Parece noite, não é?? Mas ainda não era.
Essa foto saiu melhor



Você deve ter notado que Adriano ainda não apareceu na história, não é??

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dia do beijo

Entre as inúmeras obrigações de trabalho que desgatam meus olhos,meu tempo(ah! tá! recebo por isso),minha voz - que quer e precisa falar sobre tantas outras coisas além das regras intermináveis-, meu sonho, minha piada,meu ânimo e tantas outras coisas,cavei uma brechinha (quase indevida porque os prazos correm,o tempo escorre e eu bem queria correr deles).
Era isso ou cavar mais um tantinho no desespero....
Pois é! 13 de abril é o dia do beijo(eu já comentei por aqui que não gosto muito dessa história de datas comemorativas),mas escorregando por entre as páginas da internet, caí em um blog que falava do dia do beijo no ano passado.Um blog muito interessante,aliás:
Em 14 de Agosto de 1945, a Segunda Guerra Mundial tinha terminado oficialmente e em Nova York, na Times Square, uma quantidade enorme de pessoas se reuniu para a celebração.De repente um lindo marinheiro, puxou uma enfermeira pelo braço e a beijou. A cena foi imortalizada pelas lentes do fotógrafo Alfred Eisenstaedt para a revista  Life e se tornou o símbolo da alegria e da vitória.
Eu apenas posso imaginar o tipo de emoção e alívio que aquelas pessoas vivenciaram, porque , de fato, nunca vivi os tais tempos de guerra.
Minha avó viveu esse período e me contou acerca das dificuldades para conseguir determinados gêneros, chegou a enfrentar filas imensas antes do amanhecer para conseguir carne, por exemplo.Falo de um tempo em que não havia Carrefour nem Extra ou Wal Mart.Falo de um tempo e de uma família humilde às vésperas de se mudar do Rio de Janeiro para São Paulo em busca de melhores oportunidades de trabalho.
Dá para imaginar que minha avó precisou portar um salvo-conduto?

Quando este documento foi emitido,Olinda tinha 33 anos e a guerra ainda não tinha chegado ao fim.Acredito que o rádio tenha sido sua mais significativa fonte de informação e não faço a menor ideia se ela pôde ou não ver a tal foto do beijo.
Pelo pouco que conheci de sua austeridade moralista,imagino que teria dito: "Que pouca vergonha!"
Pelo pouco que conheço da alma feminina,no seu íntimo deve ter sonhado...um salvo-conduto para o beijo, por favor!!